O jornalista especializado em aventuras e escritor Airton Ortiz relata uma viagem de 45 mil quilômetros e cerca de 7 milhões de anos! Seguindo pistas genéticas e arqueológicas, ele empreende o provável trajeto que nos trouxe, desde a África selvagem, berço de nossa existência como espécie, até aqui, no Brasil. Entre um ponto e outro da viagem, realizada quase integralmente em transporte público, caminhões sem condições de conforto e vans esquisitas, apresenta evidências e registros que ligam nossa polêmica espécie ao primeiros primatas.
Nada de grande é muito fácil. Passando por áreas de conflitos tribais, guerras civis e desvios involuntários (por vistos negados, condições de segurança e outros), nós seguimos na carona, no conforto de uma poltrona fofa, bem diferente do que nossos antepassados enfrentaram. Superamos obstáculos geográficos e climáticos, atravessamos desertos quentes, mares secos e camadas de gelo para chegar ao atual Alaska e, enfim, conquistarmos a América. Trouxemos algumas espécies animais e vegetais. Caçamos, coletamos, bebemos, nos separamos de nossa turma e continuamos em frente. Hoje, podemos nos reencontrar.
“Mama África”, Etiópia. Ali adquirimos consciência, criamos ferramentas e artefatos que nos permitiram superar nossas restrições naturais: fracos, frágeis, mas unidos. Sim, todos somos africanos e isso nos dá um alento enorme, pois é prova de que, naturalmente, sempre necessitamos de solidariedade. Sem ela, nada de Homo sapiens.
O texto tem altos e baixos. Algumas vezes, a redação é tão amadora que parece ter saído de um iniciante nas letras. Outras, encontramos excepcionais descrições de lugares, ambientes e situações. No todo, passa de ano. Os méritos principais são, enfim, a proposta e as informações.
Ao fim da leitura, dá uma vontade imensa (humanista que sou) de abraçar alguém, olhar para a pessoa e dizer – olhos úmidos – “meu irmão, enfim nos reencontramos”.
Abraços fraternais.








